Um rio desaguou-se na vida
a vida sobre o mar.
Tudo é imensidão, é infinito,
é loucura ardente
A vida, o mar,
a coroa sobre a fronde
sobre os seios
de uma vida a pulsar
O amor é o delírio dos loucos
A vaidade dos narcisos
A masturbação dos libertinos
e a máscara dos caretas.
Amor. Amar-te.
Amei-te na bituca de um cigarro
que agora assassino em um copo
de uísque]
quarta-feira, 12 de julho de 2017
Da Música
Música,
Rogo-te música,
Declama-me música.
Grito por música.
Toda musicalidade existente no mundo
Sobre a vida,
sobre o amor,
sobre o mar,
Sobre nós.
Rogo-te música,
Declama-me música.
Grito por música.
Toda musicalidade existente no mundo
Sobre a vida,
sobre o amor,
sobre o mar,
Sobre nós.
quarta-feira, 5 de julho de 2017
O Pecado Original e a Expulsão do Paraíso, de Michelangelo (1508-1512).
Artista: Michelangelo Buonarroti (1475-1564).
Período Artístico: Renascentista.
Estética: Valorização da arte Greco-Romana (Perfeição estética nas pinturas, retomada aos conhecimentos científicos).
Identificação: Teto da Capela Sistina.
Características na pintura: Embora sejam estilos artísticos do séc. XX. É possível identificar com clareza a técnica Realista e Impressionista na imagem.
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| O Pecado Original e a Expulsão do Paraíso, Michelangelo |
ANÁLISE PESSOAL: No livro do Gênesis capítulo 3, o escritor narra a "Tentação de Eva e a queda do homem". Para compreensão de alguns detalhes será necessário ler a introdução prévia desta postagem, onde falo sobre Lilith.
Análise para compreensão da gravura "O Pecado Original e a Expulsão do Paraíso"
Bora lá!
Ao lado esquerdo da imagem podemos visualizar Adão e Eva gozando de sua plena juventude, aparentemente exploravam a beleza de seus corpos, quando têm a atenção dispersa pela figura mitológica sobre a árvore.
É preciso observar com atenção a forma simétrica com que ambos fixam a serpente, um detalhe curioso é que a figura da serpente é metade réptil e metade mulher, essa mulher simbolicamente representa Lilith, supostamente a primeira esposa de Adão.
Michelangelo constrói corpos divinos para suas personagens, uma das características em voga naquele período artístico (literário, filosófico, político e cultural).
A direita, após descumprirem a ordenança celestial de não comerem do fruto sagrado, o jovem Adão e a jovem Eva sofrem um envelhecimento súbito ao serem tocados por um ser celestial nas vértebras cervicais.
Pecado, do grego, Hermatita, também significa Erro. É presente a noção de que o pecado nos envelhece de acordo com mitologia judaico-cristã. Os primeiros homens da linhagem de Adão viviam até novecentos e tantos anos, Gênesis capítulo 5. Com a noção de transgressão sua estimativa de vida foi decrescendo até chagar a idade de cento e vinte anos, capítulo 6.
É importante observar, sobre tudo, que Michelangelo tinha o real intuito de mesclar junto as pinturas os seus conhecimentos científicos em anatomia. Por exemplo, o Tronco junto ao dorso de Eva, a serpente sobre a árvore, e o toque do ser celeste na coluna cervical de Adão.
Árvore principal: Não possui uma linha de continuidade com o galho em que Adão apóia as mãos. Tem-se a impressão de que esse galho está emergindo da parte posterior do tronco, mas, se isso ocorresse, porque estaria projetado para o lado esquerdo, como foi retratado, e não para o plano ao fundo? Nota-se também o braço direito da figura da serpente, apoiado junto a porção superior do tronco, e o braço esquerdo que cruza o galho da árvore no plano anterior.
Afim de saber mais questões Anatômicas na obra de Michelangelo? Segue o link do blogger da Dra. Renata Calheiros Viana.
domingo, 2 de julho de 2017
Infância
Vai menino,
Corre pelo mundo
como que atrás da bola
Empine sua pipa
sobre o farfalhar violento do vento
Enquanto as biroscas de gude
rompem o triangulo.
Ele roda,
o meu guri roda
Como quem solto pelas cordas
de um pião.
Vai meu guri, vai inerte pela ladeira
Como quem acabara de tocar
a campainha da vizinha
e se escondera para vê-la vociferar.
Ei, menino!
Saia do quintal do Manoel,
Deixe os pés de cana no lugar!
- E uma bola de canhão
feita de mamona atinge o narrador
do andar de cima.
Esconde-esconde, rouba bandeira,
entra o menino na ciranda cirandinha
e tropeça no suco gelado da corda,
vejam como seu cabelo ficou arrepiado!
Como ele pula na amarelinha,
e vence sempre no jogo de cards
Esse é o meu menino
Esguio, miúdo de dar dó,
sorrateiro e valente.
Corre, corre meu guri
que o teu amor de vidro se quebrou
Um novo rebento há de nascer
Em teu berno que estourou.
Em teu berno que estourou.
O segredo de Jorge
Já caía o alvorecer quando ele chegou e eu ainda não estava pronta.
Disse a ele que se sentasse no sofá enquanto iria tomar um banho e me arrumar. Subi e rapidamente tomei um banho, escovei os cabelos, fiz todo o processo de higiene feminina e em uma hora e meia estava pronta.
Ao chegar na sala não o avistei. Percorri os demais cômodos da casa a sua procura e nada. Então resolvi olhar pela janela e avistei-o em frente ao carro, fumando. Aliviei-me, a essas horas mil e uma coisas já haviam atordoado-me os sentidos.
Já acomodada no carro de Jorge, percebi que ele estava atônito e disperso. Era de seu costume reclamar de minha demora, e eu sabia o quanto ele odiava meus atrasos quando o assunto era compromissos agendados previamente. Porém, mesmo assim resolvi ficar calada, o que é deveras difícil.
Durante toda a viagem Jorge permaneceu calado e eu também. Chegamos ao restaurante e fomos guiados pelo garçom à nossa mesa no piso superior. E nenhuma palavra. Comecei a ficar preocupada e nervosa ao mesmo tempo. Tive vontade de gritar e perguntar o que estava acontecendo, nunca o vira daquela maneira.
Indiscretamente, comecei a olhar para o rapaz elegante desacompanhado ao lado, a fim de ser notada pelo meu parceiro e nada. Ele não estava ali! Em determinado ponto, levantei-me da mesa e dirigi-me ao banheiro. Lá, chorei copiosamente, passado alguns minutos, creio que dez, regressei a nossa mesa que para minha surpresa estava vazia.
Tentando me equilibrar em cima do sapato, fui caminhando lentamente até a mesa. Lá havia um pequeno bilhete que dizia: "Me perdoe, tive que sair às pressas por motivos emergenciais. Espero que não note minha falta. De quem te ama. Jorge".
Meu Deus?! Não! Não comigo! Solicitei ao garçom que me providenciasse uma água com açúcar. E após alguns minutos de choro silencioso levantei-me desnorteada a espera de pedir um táxi e sumir. Era tudo o que mais queria.
Tive imensa dificuldade para descer as escadas, a ala inferior estava completamente escura e ao breu. Mas não me importei, naquele momento estava aérea demais para me importar com a iluminação do ambiente.
Chegando no piso térreo tentei tatear alguma cadeira, a fim de me locomover até a saída. Quando olhei para a bolsa para pegar o celular, notei um vulto passar pela imensa sala e meu coração gelou. Instantaneamente me encolhi como um bicho acoado, quando de repente o alguém começou a dedilhar o piano. Era uma música muito bonita, a qual me era desconhecida. E notei que havia mais de um vulto.
A luz se acendeu tenuemente e meu Deus! Não pudia crer naquilo que meus olhos me mostravam.
Jorge estava ajoelhado no meio do salão e segurava uma taça de espumante na mão direita. Como pude ser tão estúpida! Era claro. Era isso! Ele me pediria em noivado naquela noite.
Das sombras emergiam os vultos dos parentes e amigos com taças de espumante nas mãos. Reconheci no piano o rapaz da mesa ao lado. E aquela noite a agonia tornou-se em emoção, e pude ser inteiramente feliz ao lado das pessoas que amava.
sábado, 1 de julho de 2017
Análise para compreensão da gravura "O Pecado Original e a Expulsão do Paraíso"
Introdução de análise à pintura "A queda do homem", de Michelangelo.
O objetivo aqui é a construção de uma resenha de entendimento objetivo para visualização da imagem e análise posteriormente postada.
Segundo as histórias mais antigas a primeira mulher a ser criada por Deus fora Lilith: "E criou Deus o homem a sua imagem e semelhança; a imagem de Deus os criou; MACHO e FÊMEA os criou"(Gn: 1:27). Ambos haviam sido criados da mesma matéria, o barro, porém de imediato surgiriam as primeiras confusões, pois Lilith não aceitava submeter-se a Adão, muito menos a deitar-se por baixo dele, então ela o abandonou.
No segundo episódio vem a criação de Eva. "E disse o senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só: far-lhe-ei uma adjutora que esteja como adiante dele" (Gn: 2:18). Já que a primeira mulher fugira de Adão, Deus passa para o segundo plano: A criação de um ser mais frágil e submisso. "Essa se chamará varoa, porquanto do varão foi tomada" (Gn: 2:23).
No versículo 24, após a criação de Eva, Adão começa a falar sobre o matrimônio "Porquanto deixará o varão o seu pai e sua mãe e apegar-se-á a sua mulher..." e no verso seguinte o autor diz que ambos estavam nus e não se envergonhavam. Ou seja, deixa a entender que famílias já haviam sido constituídas, uma vez que este não tinha pai e nem mãe. Também é válido observar que a escrita não possuí um espaço cronológico da contagem do tempo.
"E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher: e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne (...)" (Gn: 2:22-23). Note a expressão usada: "Essa é agora osso dos meus ossos", enquanto a primeira era feita da terra e possuía uma equidade em relação a Adão a segunda era feita de suas próprias entranhas. Neste caso Adão era a matéria prima e Eva o produto.
No capítulo 3 do Gênesis temos a expulsão do Homem do jardim do Éden, a figura da serpente é totalmente alegórica, o autor da epopeia, Moisés, usa de linguagem literária para comparar a astúcia de Lilith com a astúcia da serpente. Lilith seria quem teria oferecido a Eva o fruto da árvore do conhecimento e esta ao seu adjutor.
Lilith foi a primeira figura a estourar a bolha do conhecimento pela inconformidade, e note, uma figura feminina. Ela tornou-se um ser divino em diversas religiões mesopotâmicas e ao mesmo tempo comparada com a figura de Satanás por ter levado o Homem à ruína.
As histórias bíblicas são meramente ilustrativas, são epopeias que narram o surgimento de uma civilização. A escrita do Gênesis tem como base a adaptação de lendas Babilônicas e Egípcias.
sábado, 29 de abril de 2017
Nostalgia 3
Os dias de meus tempos
nada serão,
Além de sonhos que se perderam
junto ao mar.
Mar,
mar de mim
Onde entrego minha utopia,
meus desejos...
Quando me fores
qual flor seca no jardim
Serei qual pólen
que vivifica a poesia
Degraus na escadaria
que cruzam o abismo em mim.
nada serão,
Além de sonhos que se perderam
junto ao mar.
Mar,
mar de mim
Onde entrego minha utopia,
meus desejos...
Quando me fores
qual flor seca no jardim
Serei qual pólen
que vivifica a poesia
Degraus na escadaria
que cruzam o abismo em mim.
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