Saídas da fábrica
Direto do prato
Direto pra gente
Quando me for
para além das roseiras
o céu me será por lar,
Um conto nos lábios de um sábio
uma estrela extinta
no seu fulgor materialista
Sobre o céu da nação,
brilhe minha águia e minha serpente.
- Aonde vais ó sábio?
Há caminhos de sombra
além do roseiral,
estrelas mortas brilham,
lagartas morrem e riem
Em um contrafeito espacial.
Aos amigos do peito
Apenas um soluço
Isso é tudo o que lhes posso dar
Nada passou de um engano prosaico
quando o ônibus em alta velocidade passou por cima de um corpo em inércia e desmembrou-o o cegando as vistas.
Não lembro-me de detalhes, contudo lembro o suficiente para lhes dizer que a tragédia se sucedeu na rua 23 de maio, na esquina 12, quarteirão terceiro de uma São Paulo cinza.
Pois bem, assim fora o infortúnio. Voltava por volta das onze horas do dia de casa de Lulu, ou Laurieh, como quiser. Convidara-me para um chá das nove em casa de sua irmã Lurdes, mulher do alfaiate, loja 305 no centro.
(...)
Para quê contar o resto? Oras, que Brás Cubas de Machado lhes narre sua tragédia, de mim nada direi.
(...)