segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
Nostalgia 1
Angústia de quem vive
Debruço-me sobre ela
E admiro-a qual paisagem
- Profunda contemplação
(...)
Senhora que me cerca
Em adágios chorosos,
Incógnita de quem ama
(...)
Um copo de gim sobre a mesa
O corpo de Gina sob a mesa
- Silêncio!
Alguém adormeceu...
domingo, 1 de janeiro de 2017
Inacabado
Aos amigos do peito
Apenas um soluço
Isso é tudo o que lhes posso dar
Nada passou de um engano prosaico
quando o ônibus em alta velocidade passou por cima de um corpo em inércia e desmembrou-o o cegando as vistas.
Não lembro-me de detalhes, contudo lembro o suficiente para lhes dizer que a tragédia se sucedeu na rua 23 de maio, na esquina 12, quarteirão terceiro de uma São Paulo cinza.
Pois bem, assim fora o infortúnio. Voltava por volta das onze horas do dia de casa de Lulu, ou Laurieh, como quiser. Convidara-me para um chá das nove em casa de sua irmã Lurdes, mulher do alfaiate, loja 305 no centro.
(...)
Para quê contar o resto? Oras, que Brás Cubas de Machado lhes narre sua tragédia, de mim nada direi.
(...)
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
sábado, 17 de dezembro de 2016
domingo, 27 de novembro de 2016
Da bailarina
À vous aimer
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
Pé de Ipê
De Pê amarelo
É sombra de Ipê
No pé do carvalho
escandaloso Purtuguês
Cor do céu
Vida que se refaz
em tom grená
Na imensidão das nuvens macias
fronde orgulhosa de Pê.
tão ameríndia quanto os de lá
Chorando Pês
na Terra dos de Pindorama
Pontilhão agudo - cruzeiro do sul
Procissão de moles Marias sonolentas
em galhos machos de bambuzais sergipanos.
sábado, 10 de setembro de 2016
Corpos
Três passos para trás
Dois para frente
Um para esquerda
E uma incógnita infinita à direita
O ponto ao meio
São carros sobre os corpos
agitados às doze horas.
É horário de pico na colméia
E as operárias se movem sobre os corpos
Um passo à direita e verás que a construção não acabou,
britadeiras de papelão furam a dura areia de Copacabana
Enquanto os grilos tomam sol
no mar de gente, de gente morta ao sol.
Ao meio tudo é festa
as cigarras cantam
As operárias trabalham
E a rainha vive,
Três passos pra trás,
chove
Dois para frente,
gente,
Um para esquerda,
ao
Todos chegam,
Meio.